
O Pará ficou com duas Coordenação Regional, Amazonas e Rondônia uma cada um, e o Acre nada.
Os jornais de Rio Branco repercutiram em suas edições desta terça, 31, o principal assunto divulgado neste sítio durante a segunda-feira.O Instituto Chico Mendes, sua Coordenaçao Estadual, que foi instalada no vizinho estado de Rondônia. Uma derrota política para o Acre.
Rio Branco - AC - Por essa ninguém esperava. O Acre, o inventor e formulador
do modelo das reservas extrativistas conhecidas no mundo todo devido à luta dos
seringueiros comandada por Chico Mendes, Marina Silva e companhia, acaba de
sofrer um revés em Brasília ao perder o controle do Instituto Chico Mendes
[ICM] em seu próprio quintal.
O Ministério do Meio Ambiente decidiu e entregou para o
Estado de Rondônia, conhecidamente um dos estados de maior índice de devastação
de florestas, a responsabilidade pela coordenação regional do ICM. Com a
medida, o Acre fica subordinado às orientações de Rondônia quando o assunto for
gestão e preservação das unidades de conservação.
Foi um nocaute no Estado que tem pelo menos 80% de seu
território completamente intacto.
A decisão do governo federal em dar aos rondonienses a coordenação
do Instituto é um duro golpe e uma incomensurável derrota política para o Acre,
atestam especialistas na área. Foi
devido à luta de acreanos travada no governo Lula - Marina Silva, Sibá Machado
especialmente - que a instituição foi criada há dois anos, gerando polêmica e
dividindo ao meio os servidores do Ibama em todo país.
O ICM foi criado para promover a gestão das unidades de
conservação e proteger a biodiversidade do Brasil. No caso do Acre, as ricas e
cobiçadas áreas de conservação estão sob controle de Rondônia, Estado governado
por Ivo Cassol, o empresário criador de boi e plantador de soja que tem ojeriza
às questões do ambiente. Todo mundo lembra que foi ele um dos incentivadores
para que o governo Lula esvaziasse os poderes da então ministra Marina Silva,
no ministério do Meio Ambiente, até ela pedir demissão.
Há, no entanto, quem avalie que o prejuízo para o Acre com a
perda da coordenação regional do ICM é superior e mais traumática que a perda
das vilas Extrema e Nova Califórnia, na década de 90. Vencida também pelos
vizinhos rondonienses, a disputa territorial pelos lugarejos às margens da
BR-364 foi facilitada pela incompetência dos políticos locais da época.
Benção para Rondônia
Com a coordenação do instituto que leva o nome do acreano
mais ilustre e conhecido no mundo, Rondônia vai controlar e definir políticas
para aproximadamente três milhões de hectares em reservas no Acre [ Res. Chico
Mendes, Serra do Divisor, Cazumbá-Iracema, Floresta Nacional do Macauã, Res. do
Alto Juruá (a primeira do Brasil criada em janeiro de 1990), Res. do Rio
Liberdade, Reserva do Alto Tarauacá e outras menos conhecidas].
O ICM é uma autarquia que surgiu poderosa e rica. Seu
patrimônio está no mesmo nível da Petrobrás, INSS e a Receita Federal. O instituto
tem cerca de 2.500 imóveis em todo o país e milhões de hectares de áreas verde
que precisam ser preservados e que o planeta está de olho. Só que agora, o Acre
que sonhava em coordenar esse importante patrimônio natural em sua própria
cozinha, terá que se submeter às ordens e aos humores de Rondônia.
Parece mentira, mas é a mais pura verdade. Rondônia vai
‘cuidar' das florestas da terra de Chico Mendes. E o Instituto Chico Mendes,
criado por Marina, companheira de luta do líder seringueiro, terá sua sede
regional em Porto Velho, quando deveria ser em Rio Branco ou mesmo na cidade de
Xapuri.
Com a palavra, o ministro Carlos Minc e o presidente Lula.
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